Bem-vindo ao blogue do Centro de Língua Portuguesa do Camões, IP na Universidade da Extremadura /Cáceres

Bienvenido al blog del Centro de Lengua Portuguesa del Camões, IP en la Universidad de Extremadura /Cáceres




16/12/16

Segundas Jornadas de Português: "ECO", um prefixo com futuro.



Deixamos alguns momentos da segunda edição das Jornadas de Português, organizadas pelo
Departamento de Lenguas Modernas y Literaturas Comparadas - Área de Filologías Gallega y Portuguesa, pela Facultad de Empresa, Finanzas y Turismo e pelo Centro de Língua Portuguesa, Camões, IP na Universidade de Extremadura.


  









Estas jornadas promoveram o debate de um tema da atualidade: a ecologia, a sustentabilidade da sociedade atual e a procura de alternativas. Dirigidas em primeiro lugar a alunos da Facultad de Empresa, Finanzas y Turismo, as jornadas contaram com a presença de alunos e professores da Escuela Oficial de Idiomas (entidade que também colaborou nas primeiras jornadas, de 2014) e estiveram abertas a todos. 
 










Decorreram em três espaços distintos: a manhã do dia 13, no salón de actos da Facultad de Empresa, Finanzas y Turismo; a partir das 16h30, as jornadas continuaram no Museo Vostell-Malpartida com a apresentação de uma palestra sobre o museu e a interessante articulação arte/natureza, com a presença do artista e poeta Antonio Martín, e uma mesa redonda de profissionais de turismo, ócio e jornalismo ambiental; no dia 14, a partir das 18h00, no Instituto de Lenguas Modernas teve lugar a exibição do documentário “Que estranha forma de vida”, apresentado pelo seu realizador, o português Pedro Serra.

 
 








 
 


Estas jornadas contaram com as intervenções de vários especialistas, mas também com a intervenção de estudantes que desenvolveram trabalhos inovadores no âmbito da temática das jornadas.












Novas obras na secção de literatura infanto-juvenil


Sinopse

Porque nunca são demais, esta colheita de poemas propõe abrir mais uma porta, ou janela, se preferirem, para a poesia.

Um pequeno contributo para que, de facto, possamos ir ao encontro de uma realidade ainda um pouco distante, ou seja, uma verdadeira diversidade na oferta deste género, pois se as boas antologias de poesia portuguesa para infância são raras e, por vezes, pouco diversas em conteúdo, o que dizer da praticamente inexistente tradução de poesia estrangeira.



Eis a razão pela qual decidimos começar a nossa incursão pela poesia desta forma, traduzindo alguns poemas intemporais de paragens tão distantes como Cuba, Canadá, Argentina, E.U.A, Venezuela, e autores como Maria Elena Walsh, David Chericián, Javier Villafañe, entre outros, que pela primeira vez são traduzidos para português. 

Por outro lado, quisemos textos que celebrassem a palavra e o riso em tempos de verborreia e siso, poemas que pedem uma leitura em voz alta, onde voz e corpo se fundem para jogar com as palavras. Textos que convocam o lúdico numa linguagem de perguntas e não de respostas, mas acima de tudo, poemas sem idade que arremessassem humor e absurdo contra lindas palavras ocas que tanto contribuem para o preconceito face à poesia e a transformam numa "criança amuada".



Sinopse

O meu Avô acorda todos os dias às 6 da manhã. O Dr. Sebastião acorda às 7. Cruzam-se todos os dias à mesma hora. 
O meu Avô já teve uma loja de relógios. Agora tem bastante tempo. O Dr. Sebastião não é relojoeiro nem tem tempo a perder. 
O meu Avô tem aulas de alemão e aulas de pilates. Escreve cartas de amor (ridículas) e faz regularmente piqueniques na relva, comme il faut. 
Depois, ainda tem tempo para ir buscar-me à escola…

De Pessoa a Manet, de Almada a Tati, um livro repleto de referências artísticas.


15/12/16

Novidades no CLP/C

José Luís Peixoto


Chegaram duas obras do narrador, poeta e dramaturgo português, José Luis Peixoto ao CLP/C , Livro e Galveias. 
Este livro elege como cenário a extraordinária saga da emigração portuguesa para França, contada através de uma galeria de personagens inesquecíveis e da escrita luminosa de José Luís Peixoto. 
Entre uma vila do interior de Portugal e Paris, entre a cultura popular e as mais altas referências da literatura universal, revelam-se os sinais de um passado que levou milhares de portugueses à procura de melhores condições e de um futuro com dupla nacionalidade.
Avassalador e marcante, Livro expõe a poderosa magnitude do sonho e a crueza, irónica, terna ou grotesca, da realidade. Através de histórias de vida, encontros e despedidas, os leitores de Livro são conduzidos a um final desconcertante onde se ultrapassam fronteiras da literatura.
Livro confirma José Luís Peixoto como um dos principais romancistas portugueses contemporâneos e, também, como um autor de crescente importância no panorama literário internacional.




Galveias está entre os grandes romances alguma vez escritos sobre a ruralidade portuguesa.

O universo toca uma pequena vila com um mistério imenso. Esse é o ponto de acesso ao elenco de personagens que compõe este romance e que, capítulo a capítulo, ergue um mundo.

Como uma condensação de portugalidade, Galveias é um retrato de vida, imagem despudorada de uma realidade que atravessa o país e que, em grande medida, contribui para traçar-lhe a sua identidade mais profunda.

14/12/16



Aqui deixamos alguns momentos do dia de ontem, durante as "Segundas Jornadas de Português: 'ECO', um prefixo com futuro".














As jornadas terminam hoje com cinema em português.





Com a presença do realizador Pedro Serra, será exibido o documentário "Que estranha forma de vida", às 18h00, no Instituto de Línguas Modernas em Cáceres.
Haverá um debate sobre formas alternativas à sociedade de consumo.





















09/12/16

Segundas Jornadas de Português: "ECO", um prefixo com futuro.

 

Inscrição gratuita e aberta a todos os interessados, mas sujeita a inscrição em linha.
Faça a sua inscrição aqui!


30/11/16

Novidades no CLP/C

Uma das  aquisições do CLP/C deste ano  é a última obra do prémio nobel, José Saramago, Alabardas

Aquando do seu falecimento, em 2010, José Saramago deixou escritas trinta páginas daquele que seria o seu próximo romance; trinta páginas onde estava já esboçado o fio argumental, perfilados os dois protagonistas e, sobretudo, colocadas as perguntas que interessavam à sua permanente e comprometida vocação de agitar consciências.

Saramago escreve a história de Artur Paz Semedo, um homem fascinado por peças de artilharia, empregado numa fábrica de armamento, que leva a cabo uma investigação na sua própria empresa, incitado pela ex-mulher, uma mulher com carácter, pacifista e inteligente. 

A evolução do pensamento do protagonista permite-nos refletir sobre o lado mais sujo da política internacional, um mundo de interesses ocultos que subjaz à maior parte dos conflitos bélicos do século xx.


Dois outros textos - de Fernando Gómez Aguilera e Roberto Saviano - situam e comentam as últimas palavras do Prémio Nobel português, cuja força as ilustrações de um outro Nobel, Günter Grass, sublinham.

Uma das obras mais conhecidas de Jorge Amado, Capitães de Areia, também foi adquirida recentemente.

Capitães da Areia é o livro de Jorge Amado mais vendido no mundo inteiro. Publicado em 1937, teve a sua primeira edição apreendida e queimada em praça pública pelas autoridades do Estado Novo.
Em 1944 conheceu nova edição e, desde então, sucederam-se as edições nacionais e estrangeira, e as adaptações para a rádio, televisão e cinema. 
Jorge Amado descreve, em páginas carregadas de grande beleza e dramatismo, a vida dos meninos abandonados nas ruas de São Salvador da Bahia, conhecidos por Capitães da Areia.




25/11/16

A opinião dos usuários


O usuário Luis García Bermejo leu o livro "A Voz da Terra" de Miguel Real e deixou-nos a sua opinião!

Obrigado, Luis!



 Romance histórico cujas personagens pertencem ao século XVIII, em 1755, altura em que Portugal é abalado por dois acontecimentos muito importantes, sendo o primeiro acontecimento o terramoto de 1 de novembro de 1755, que destruiu a vida e o orgulho dos habitantes de Lisboa, derrubada pela “Voz da Terra” com tremores repetidos, incêndios por toda a cidade com labaredas e colunas de fumo até às nuvens, e a seguir, a invasão do mar através do rio Tejo com ondas gigantescas de água que arrastavam tudo o que ficava na sua passagem.

O segundo motivo é o início da independência do Brasil, a começar por Pernambuco, assunto político encarregado ao senhor Júlio Telles Fernandes, rico comerciante brasileiro, para ser tratado com o senhor Sebastião José de Carvalho de Melo, primeiro-ministro de el-rei José I.
A presença do senhor Júlio Telles Fernandes em lisboa tinha ainda outros motivos:

Convencer os comerciantes lisboetas e portugueses em geral a investirem em projetos comerciais, comércio com o açúcar de cana do Brasil, criação de indústrias de faiança própria portuguesa e também transmitir um legado ao povo judeu brasileiro, a uma mulher – Violante Dias, prima da falecida mulher que consistia num anel que desde há muito passava de geração em geração. Violante Dias nessa altura era vigiada na cadeia da Inquisição em Lisboa por frades da Ordem dos Dominicanos, acusada de práticas de judaísmo.  

É evidente na “Voz da Terra” a importância da influência da Igreja Católica que, unida ao poder civil de el-rei e do primeiro-ministro nessa altura o todo-poderoso Marquês de Pombal atribuiu a desgraça causada pelo terramoto aos pecados do povo lisboeta.

Por esse motivo, a Igreja organizou procissões, rezas do terço e outros atos públicos de arrependimento coletivo e ao duvidou em agonizar os considerados culpáveis de qualquer desordem em fogueiras para exemplo das pessoas boas e crentes. Unida a essas execuções, refere-se na “Voz da Terra” a vingança do primeiro-ministro contra a nobreza portuguesa instigadora do atentado contra el-rei.

Do que mais gostei da “Voz da Terra” foi a linguagem muito rica em matizes lexicais, em imaginação, na estrutura dos capítulos e na perfeição do texto, escrito no século XXI com um estilo próprio do século XVIII.
Alguns dos capítulos são impressionantes, nomeadamente “auto de Fé”, que é um dos mais aberrantes pela atrocidade.







17/11/16

Conferência "O Triângulo Estratégico do Atlântico"

 
 
 
O CLP/C informa que no próximo dia 23 de novembro de 2016 vai decorrer, em Cáceres, na Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade da Extremadura, a conferência "O Triângulo Estratégico do Atlântico".
A participação é gratuita, no entanto sujeita a prévia inscrição.
Pode consultar o programa e realizar a inscrição em:

15/11/16

Novidades no CLP/C

Aterraram dois livros  no CLP/C A porteira, a madame e outras histórias de portugueses em França de Joana Carvalho Fernandes e Equador de Miguel Sousa Tavares, também adaptado cinematograficamente. 

Capa do livro
França é o país estrangeiro onde vivem mais portugueses. São quase 600 mil. 

Se contarmos com os descendentes, são mais de um milhão. Este livro dá rostos a esses números: conta histórias dos que partiram para combater na Primeira Guerra e decidiram ficar, dos que fugiram da ditadura, da miséria e da Guerra Colonial e não voltaram, e dos que deixaram o Portugal da Troika.

Em 50 anos, os portugueses em França tornaram-se dirigentes associativos, culturais e desportivos, autarcas e empresários (alguns milionários). 

Os seus descendentes foram ainda mais longe: são deputados, embaixadores e até conselheiros de Presidentes da República.




Capa do livro

Equador, o primeiro romance de Miguel Sousa Tavares, foi inicialmente publicado em 2003 e rapidamente se transformou num dos maiores "best-sellers" da literatura portuguesa, com mais de 300.000 exemplares vendidos em Portugal.

Este livro tem, atualmente, traduções em inglês, holandês, espanhol, catalão, francês, italiano, alemão, grego, checo, servo-croata e bósnio, estando presente em mais de vinte países. 

Atingiu os tops de vendas no Brasil e venceu a 25.ª edição do Prémio Literário Grinzane Cavour para o melhor romance estrangeiro editado em Itália. 




11/11/16

São Martinho


No dia 11 celebra-se em Portugal o dia de São Martinho. Este santo é conhecido por quase toda a Europa devido à sua lenda, da qual já falámos num post anterior .
Mas, como foi a vida desta personagem tão característica da cultura portuguesa e europeia?


Martinho de Tours nasceu na cidade de Savaria (atualmente na Hungria) por volta do ano 316.
Filho de um comandante romano,cresceu em Itália,desligado da religião cristã. 

Assim como o seu pai, seguiu a carreira militar e foi convocado para o exército romano aos quinze anos, viajando assim por todo o Império Romano de Ocidente. 










Na adolescência descobriu o Cristianismo e em 356 foi batizado. Tornou-se discípulo de Santo Hilário, bispo de Poitiers que o ordenou diácono e presbítero.
Na Gália fundou em 371 o mosteiro de Marmoutier que é, até à data, o mosteiro mais antigo da Europa, onde vivia em reclusão.
Além da fundação do mosteiro ele também fundou algumas das primeiras igrejas rurais da região da Gália, onde atendia tanto a ricos como a pobres. 
Morreu a 11 de novembro em Tours.










No âmbito dass celebrações da festividade de São Martinho encontramos vários provérbios na língua portuguesa, como:
  • No dia de S. Martinho, come-se castanhas e bebe-se vinho. 
  • No dia de S. Martinho, lume, castanhas e vinho. 
  • No dia de S. Martinho, mata o teu porco, chega-te ao lume, assa castanhas e prova o teu vinho. 
  • No dia de S. Martinho, mata o teu porco e bebe o teu vinho. 
  • No dia de S. Martinho, vai à adega e prova o teu vinho.

Não só a celebração mas também a própria lenda trouxe um conhecido provérbio: 
  • Verão de S. Martinho säo três dias e mais um bocadinho.

09/11/16

Vergílio Ferreira no CLP/C

Vergílio Ferreira

O conhecido escritor e professor gouveense escreveu uma vasta obra dividida em: ficção (romance e conto), ensaio e diário agrupada em dois periodos literários: Neorrealismo e Existencialismo.
As três obras existentes no CLP/C são romances e contos.

Sinopses

O despertar para a vida de uma criança, entre a austeridade da casa senhorial de D. Estefânia, a sensualidade da sua aldeia natal e o silêncio das paredes do seminário. 
Um jovem seminarista de 12 anos, é obrigado a ir para o seminário. E a história desenrola-se em torno das vivências e sentimentos que o jovem seminarista vai experimentando.
Num ambiente negro, triste, ríspido e severo do seminário, o jovem descobre-se e descobre o mundo que o rodeia: a repressão na educação, a pobreza da sua terra, as desigualdades sociais, o desejo do seu corpo, a camaradagem, a amizade, o amor.









Um dos livros mais emblemáticos da obra vergiliana. Alberto Soares, a personagem central, rememora o ano em que deu aulas em Évora. 
E as pessoas que conheceu e que, de alguma maneira, contribuíram para a consolidação das suas teorias sobre a existência: Sofia, como quem manteve uma relação erótica tumultuosa, e as suas irmãs, Ana e Cristina. Carolino que, por ciúmes, tenta matar Alberto, mas acaba matando Sofia. Cristina, a irmã-criança de Sofia, também morre.













Vergílio Ferreira, escrevendo no Portugal de Salazar, descreve um país ancorado nos confins dos tempos e que permaneceu inalterado quase até aos nossos dias.

Frases magníficas, num português sem rugas, mas que nos introduzem afinal num mundo primitivo, com as suas anacrónicas noções de honra e os seus insólitos rituais de inspiração bíblica.
O Vergílio Ferreira-contista nada fica a dever ao Vergílio Ferreira-romancista: em qualquer dos casos é sempre um vulto maior das nossas letras.